Construção do Estádio José Alvalade nos anos 50 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

O crescimento contínuo do SCP, então a caminho dos 50 anos de vida, impunha um novo Estádio.

Foi necessário um grande esforço de mobilização sportinguista para erguer uma obra que para a época, era pioneira e avançada no seu tempo, dispondo de condições únicas em toda a Península Ibérica. A construção do novo Estádio foi uma história feita de muitas histórias de dedicação, amor clubista e criatividade.

A 18 Dezembro 1954, foi aprovado o projecto de construção do, então, novo Estádio José Alvalade. Foi reavivado o projecto primitivo que fora iniciado em 1947, ano em que se procedeu á remodelação do recinto então conhecido como campo do Lumiar, que estivera na origem do Stadium de Lisboa, de 1914.

Procedeu-se nessa altura ao arrelvamento, à construção de peão e de parte das bancadas de topo. Na sequência dessas transformações de 1947, o campo de jogos do Sporting passou a designar-se Estádio José Alvalade. Em 1952 fizeram-se obras de melhoramento no Estádio em funcionamento, que acabaram por não ser aproveitadas no novo recinto.

O campo do Lumiar, rebaptizado José Alvalade foi praticamente todo demolido; aproveitaram-se o terreno de jogo, as pistas de atletismo, de ciclismo e do peão.

No entanto, a pista de ciclismo recebeu algumas alterações, designadamente o alargamento de dois metros em toda a sua periferia e o alinhamento da inclinação, de forma a torna-la mais rápida.

O projecto inicial previa que o Estádio fosse totalmente coberto e que além da construção das superiores norte e sul, fosse ainda levantada una bancada central nascente no lugar do peão , o que só viria a acontecer em 1983.

No dia 11 Dezembro 1955, o SCP pôs a concurso a execução das obras do novo Estádio e a 12 Março os trabalhos foram adjudicados a uma empresa do ramo.

As obras da demolição do anterior recinto já tinham começado em 1 Janeiro de 1955.

No dia 27 Março 1955 iniciou-se a construção do Estádio José Alvalade.

A iluminação do Estádio José Alvalade, outra inovação introduzida em Portugal pelo novo recinto, iria permitir a realização de competições nocturnas dos mais variados desportos, o que fazia com que o Estádio José Alvalade fosse o único da Península Ibérica com característica de Estádio Olimpico. Tal como o sistema eléctrico, a aparelhagem sonora montada no novo Estádio do SCP era na altura o último grito a nível tecnológico.

O Estádio José Alvalade foi inaugurado a 10 Junho 1956, foi o sexto campo na ordem de recintos desportivos do SCP, primeiro de raiz a ser baptizado com o nome do seu fundador.

A sua edificação foi obra da mobilização dos sportinguistas e no final ficou uma obra ide estrutura olímpica, imponente e avançadíssima para a época.

Foi graças à dinâmica dos sócios e adeptos sportinguistas, a suas iniciativas e uma grande imaginação que conseguiram angariar a verba de 7 716 539 escudos, uma quantia fabulosa para a época. O valor total da obra atingiu os 25000 contos!

A Comissão Central do Estádio!

Importante para a concretização deste grande empreendimento, foi a acção da «Comissão Central do Estádio José Alvalade», a qual funcionava como um todo homogéneo e profissional, embora fosse constituída por sportinguistas que não ganhavam um tostão, antes gastava muito dinheiro do seu bolso. A tarefa de angariar fundos foi crucial para a concretização das datas.

Inúmeras Subcomissões

Criaram-se inúmeras subcomissões. A de Alfama, a da Carris, a de Almada, a de Alcântara, até se formaram comissões originárias de ruas Lisboa!

Campanha do papel velho!

Realizou-se a campanha do papel velho, na qual todos os sócios do SCP deviam contribuir com jornais velhos, entre outros papeis de que pudessem dispor.

Outra ideia de sucesso foi a criação de um emblema "o leão com picareta" para ser vendido, o qual servia essencialmente, para marcar o dia em que os sócios e adeptos se deslocavam ao Estádio do Lumiar para ajudarem a demolir essa preciosidade sportinguista e a erguer a obra que viria a ser o novo Estádio.

Pagar para participar!

Nesses dias até os tijolos eram leiloados O presidente e outros dirigentes estavam presentes para os autografar.Com a mesma imaginação para angariar fundos, foram disponibilizadas picaretas para arrancar tijolos e cada sócio pagava determinada importância para as utilizar!

No mesmo sentido organizaram-se visitas para os adeptos visitarem as obras, do que resultaram importantes donativos.

A campanha do cimento!

Outra forma de angariar meios para a construção do Estádio, passou pela campanha do cimento que foi muito produtiva, porque foram oferecidos muitos e muitos sacos de cimento, mesmo toneladas o que deu muita ajuda para a concretização do grande sonho dos adeptos sportinguistas.

Lugares cativos

Outro expediente que deu bons resultados foi a venda de lugares cativos. Os sócios pagavam uma mensalidade de 200 escudos até perfazer os 5000 escudos pedidos.

Festas e excursões

A Comissão Central potenciou a criatividade de modo a multiplicar maneiras de angariar receitas para responder ás elevadas exigências da construção do Estádio.

Espectáculos e excursões foram iniciativas organizadas por todo o país. Mas também à Madeira, Tangêr e Gilbraltar de barco.

No coliseu dos recreios foi organizada a «Grande Gala» que esgotou. Ficaram de fora mais de 5000 pessoas. Na sede da rua do Passadiço realizaram-se mais de uma dezena de festas.

Voos "Charter"

Foi a euforia da construção do Estádio José Alvalade que levou á organização do primeiro voo charter em Portugal para apoiar um clube.

Dia do Trabalho!

O dia do trabalhador, que foi possível comemorar com o 25 de Abril, já existia no Sporting desde 1954, dissimulado com a designação de "dia do Trabalho".

Nesse dia, os sócios entregavam ao SCP uma verba que correspondia ao seu salário de um dia de trabalho, para a construção do Estádio e confraternizavam nas redondezas. Não se tratava de politica, mas havia uma enorme dedicação clubista.

 

Estádios, Sedes e Campos

O SCP, desde a sua formação, fixou como objectivo o desenvolvimento da prática desportiva multidisciplinar, albergando inúmeras modalidades.

Neste contexto a evolução dos espaços sociodesportivos no nosso grande Clube é um aspecto relevante na história da instituição que pretendemos abordar neste sub menu.

 

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