Venda do Estádio Alvalade XXI PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Um dos valores mais enraizados no ideário leonino passa pela localização física do espaço onde o projecto sócio desportivo SCP foi edificado desde 1906, situado no Campo Grande, em Lisboa.

Faz parte do imaginário de qualquer adepto verde e branco, o local dos campos desportivos e sedes do SCP os quais sempre significaram para muitos a sua 2ª casa, palco de grandes emoções.

A construção do Estádio José Alvalade em 1956, sempre nas proximidades, potenciou o desenvolvimento de um verdadeiro complexo sócio desportivo que teria o seu maior fulgor de meados dos anos 70 a meados dos anos 90.

Alvalade XXI

Albergando milhares de atletas de dezenas de modalidades, o Estádio José Alvalade seria transformado numa verdadeira "Cidade Desportiva", com vida própria.

A construção de dezenas de ginásios, de uma pista de tartan, piscinas, pavilhões, para além dos serviços de apoio aos sócios do Clube, possibilitou que no Estádio José Alvalade passassem milhares de adeptos diariamente numa manifestação única de vitalidade clubista. Desta forma o SCP cumpria o seu estatuto social de utilidade pública.

Quando no final dos anos 90 o Projecto Roquette apontava na direcção da construção de um estádio municipal, financiado pela edilidade Lisboeta, para utilização dos dois maiores rivais da capital e do País, uma onda de estupefacção percorreu os adeptos verde brancos.

Considerando o caminho que o Projecto Roquette levou ao Sporting, com a alienação do imobiliário "não desportivo", seria de prever que caso o tal estádio municipal avançasse, tal significaria que neste exacto momento o Clube não dispusesse de um centímetro de património. Isto é, estaria sem património, sem estádio e com um colossal deficit.

Na altura do projecto, que apontava para a construção de um estádio municipal, os seus promotores citavam o exemplo Italiano, numa comparação com uma realidade bastante diferente.

A origem, a natureza e o desenvolvimento dos clubes em Itália tem um rumo muito díspar dos clubes portugueses. A própria fragmentação regional de um País como Itália, é um fenómeno singular a nível europeu que se reflectiu, desde sempre, no rumo dos clubes Italianos, onde a ligação Clube região tem uma enorme expressão. Foi neste contexto que foram construídos os estádios "comunales" dando corpo à ligação das cidades e das regiões com seus Clubes.

Por outro lado, desde o final do século XX, os principais Clubes Italianos apontam para uma nova necessidade: construção de estádios próprios, numa manifestação de reforçar a identidade dos adeptos, cada vez menos motivados para "partilhar" o Estádio com o rival.

Em Roma, Milão e Turim, cidades que têm estádios partilhados por clubes rivais... ganham corpo projectos para a edificação de novos estádios que apenas a crise mundial veio suspender. Foram argumentos como a identidade dos adeptos, ávidos na construção de um espaço próprio.

Na Torcida Verde vivemos no início do novo milénio o pesadelo do "Estádio Municipal".

Foi precisamente de Itália que recebemos o incentivo de outros adeptos que sonhavam com o dia que o seu clube tivesse um estádio próprio e do incómodo da partilha com os seus rivais.

O estádio municipal seria mais uma machadada na identidade do nosso clube, da mesma forma como adeptos do Grande SCP jamais poderemos aceitar a alienação do nosso Estádio.

Actualmente, o argumento de que a passagem do Estádio para a SAD será uma forma de aumentar o património dessa empresa criada pelo próprio SCP, apresenta uma real ameaça no caso do Clube perder a maioria e dessa forma o controle no seu destino.

O estádio faz parte da identidade do Sporting e dos seus adeptos e estes não podem permitir a sua alienação.

Se por hipótese, teoricamente plausível, a SAD se dissolver o SCP ficará sem Estádio. O Estádio será o que resta do vastíssimo património que o SCP em tempos idos ostentou orgulhosamente.

 

Setúbal 2 - SCP 0

Na Torcida Verde de há muito decidimos assumir posições em relação a temas considerados como verdadeiros "tabús" no mundo das "claques" (designação com a qual jamais nos identificámos).

Tratam-se de assuntos complicados, sobre os quais seria muito mais cómodo abdicar de tomar posição, escondendo-nos no "nim", algo tão usual numa sociedade onde a hipocrisia, o cinismo e a incoerência dominam impunemente.

Ter a coragem de tomar posição em relação a temas como a "violência organizada", "o enquadramento legal", "a política na curva", "o futebol moderno", "o ecletismo" entre outros, é uma demonstração inequívoca de coragem e maturidade.

 

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