Curva Sporting e grupos de adeptos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

No que diz respeito ao relacionamento com outros grupos de adeptos a Torcida Verde tem uma experiência acumulada desde 1984.

Por principio não emitimos juízos de valor em relação à acção dos outros grupos, não alinhando em disputas ou intrigas inconsequentes. Ainda assim acreditamos que os grupos organizados têm pontos em comum que devem ser potenciados na defesa dos direitos dos adeptos.

Neste sentido não consideramos os grupos de adeptos inimigos. Numa conjuntura de grande ofensiva dos interesses do Futebol Negócio sobre os nossos direitos e a identidade dos clubes, a existirem inimigos serão sempre os agentes dos jogadores, a Pay TV que impõe jogos a horários vergonhosos e dos órgãos corporativistas que definem bilhetes a preços exorbitantes.

O verdadeiro significado das rivalidades

Nos anos 80 as rivalidades, tão ou mais exacerbadas que nos dia de hoje, não inviabilizaram o relacionamento entre os primeiros grupos de adeptos.

Na verdade, foram as disputas entre os dirigentes clubistas a alimentar um ciclo de agressividade que posteriormente iria condicionar a acção dos grupos de forma transversal. De qualquer maneira, o relacionamento da Torcida Verde com outros grupos de adeptos de outras cores nunca assumiu um carácter regular. Infelizmente, apenas pontualmente existiram contactos de circunstância.

Nos anos 90 vivemos o visível agravamento da conjuntura entre os grupos de adeptos nacionais que regra geral aderiram a um modelo com o qual jamais nos identificámos na Torcida Verde. A colagem a modas importadas era generalizada, impondo de forma automática rótulos e preconceitos a todos os que "ousavam" um rumo alternativo.

Na Torcida Verde nunca nos sentimos "perseguidos ou acossados" pelo pensamento e acção dominantes. Sempre perseguimos os nossos objectivos, independentemente do "ruído" envolvente. "Os valores e os ideais distinguem os homens dos animais " - podia ler-se numa coreografia da Torcida Verde de 1997.

Presenciámos as guerras pelo domínio da nova ordem e dessa forma pela supremacia de um modelo em relação a outro.

Iniciativas como os "Ultras Portugal", os "Congressos Ultras" que decorreram até meados dos anos 90 foram verdadeiros campos de batalha pela tal supremacia entre facções bem demarcadas.

Podemos afirmar que foram anos muito turbulentos nos quais a generalidade dos grupos apoiantes aderiu a esta ordem, unicamente para não perderem o comboio dos grupos dominantes. Uma confissão velada de grande submissão, reverência e subserviência. Esta nova mentalidade transformou-se numa autêntica moda que para a Torcida Verde em nada tinha que ver com a nossa interpretação do ideal ultra.

Neste contexto, foi naturalmente complicado para a Torcida Verde comunicar com grupos de adeptos com uma acção e objectivos tão antagónicos.

Aquando de uma eliminatória da Taça de Portugal com a Académica disputada em Alvalade em 1997, ainda que sem contactos formais com os adeptos organizados da "briosa", não tivemos qualquer complexo em apresentar um "tifo" que destacava os valores tradicionais das gentes de Coimbra.

"Unidos pelos Ideais" podia ler-se numa faixa ladeada por um estandarte que simbolizava a amizade. Não porque na Torcida Verde tivéssemos qualquer relação de amizade com qualquer grupo da AAC, mas como identificação com os tais ideais de sempre das gentes da capital do Mondego.

Aquando da intensificação da ofensiva do futebol negócio na Torcida Verde alimentámos a ilusão de unir esforços com grupos de diferentes clubes no sentido de denunciar os efeitos devastadores dos preços dos bilhetes, dos horários dos jogos ou dos agentes dos jogadores.

Ainda foram organizadas algumas iniciativas, na verdade idealizadas pela Torcida Verde, que se revelariam inconsequentes, graças a uma mentalidade mesquinha e egoísta que impossibilitou o combate eficaz às ameaças dos direitos dos adeptos e dos seus clubes.

As rivalidades e os ódios de estimação continuaram a falar mais alto.

Dessa forma, na Torcida Verde continuámos nosso rumo uma vez mais autonomamente.

Saudáveis excepções a esta ausência de relacionamentos com outros grupos de adeptos, ocorreram em 1992 com os " Yelow Boys" do Paços de Ferreira e em 2000, com a aproximação do Grupo do Beira-Mar "Ultra Auri Negros", motivados em conhecer o processo de constituição em Associação. Este saudável relacionamento com os Ultras do Beira-Mar teria continuidade durante 3 ou 4 épocas.

Pontualmente existiram contactos com outros grupos na aquisição de bilhetes mais baratos no Estádio de Alvalade. Dos grupos do Vitória de Guimarães, da União de Leiria, passando pela Académica e do Vitória de Setúbal, os nossos esforços situaram-se no campo da solidariedade com aqueles que como nós desenvolvem esforços quase incompreensíveis para a maior parte dos adeptos.

Pontualmente temos participado em colóquios e debates com outros grupos. Em 2006 participámos num debate em Coimbra com grupos da Académica e com a Juve Leo.

Unidade no apoio ao Sporting SEMPRE! Unanimidade na acção ou monopólio do apoio, nunca!

No que diz respeito ao relacionamento com os grupos de adeptos do nosso clube, a Torcida Verde tem uma larga experiência. Sem hipocrisias podemos afirmar que se trata de uma vivência com momentos altos e baixos.

Sem querermos entrar em detalhes, podemos afirmar com toda a autoridade moral que a Torcida Verde tem dado inúmeras demonstrações de disponibilidade para participar em acções e iniciativas em prol do ideal comum: o SCP.

Na Torcida Verde não padecemos do complexo de inferioridade pelo que abominamos qualquer tentativa de submissão, reverência ou arrebanhamento.

Da mesma forma, não sofremos do outro complexo, não menos complicado: o de superioridade. Assim sendo não temos como prática corrente adoptar qualquer comportamento pseudo arrogante de dominação ou supremacia, nem tão pouco submetermo-nos a eles.

A nossa disponibilidade para a cooperação baseia-se no estrito cumprimento do ideal clubista; respeitador da diversidade e da diferença.

Algo incompatível com o oportunismo de circunstância, a manipulação ou o exibicionismo individualista potencialmente usurpador do esforço colectivo e dos princípios da Torcida Verde. O nosso rumo conhece alguns episódios de participação em iniciativas com outros grupos de adeptos leoninos.

Em 1991 participámos com a JL no festival de homenagem ao futebol juvenil do SCP. Uma iniciativa do Futebol juvenil do SCP que dessa forma homenagearam os Campeões do Mundo de Juniores. Também com este grupo de adeptos organizados do nosso clube realizámos duas futeboladas. A primeira correu na Nave de Alvalade e nela participaram equipes femininas dos dois grupos que disputaram um jogo de Futebol 5.

Mais tarde organizámos com a J.L. um jogo de futebol onze no mítico campo nº 2 do Estádio em frente à Porta 10A.

Em 1993 participámos, juntamente com a JL, num jantar colóquio organizado pelo núcleo do SCP do Bairro de Benfica, com o tema "Apoiar o Sporting".

Em 1994 participámos na mega coreografia constituída por tochas que cobriu a totalidade da Superior Sul e uma parte da Bancada Nova.

Em 1994, por iniciativa do SCP, participámos na iniciativa "A razão da diferença" em conjunto com a JL . Tratou-se de um folheto em que cada um dos grupos assumia a autoria de um pequeno texto.

Em 1998 realizámos uma nova coreografia conjunta com a JL. Desta vez ficámos com a tarefa de produzir, talvez a maior faixa de estádio do mundo: 150 mts por 4mts com a frase "A estrela de Lisboa somos nós". A ideia seria desenhar uma estrela na Superior Sul.

Em 2002 realizámos, contra o Partizan de Belgrado, juntamente com a JL, um tifo à base de balões.

Mais recentemente organizámos em conjunto com a JL e o DUXXI uma jornada de protesto para com os erros arbitrais. Cada um dos 3 grupos auto-produziu frases a apresentar no jogo SCP- Braga de 2006.

A unicidade da "Curva Sul", "Curva Norte" ou "Curva Stromp". Da retórica à realidade.

Em Abril de 2008, na meia-final da Taça de Portugal nova experiência.

Uma nova tentativa para agregar o apoio na Curva Sul teria resultados que denotaram falta de maturidade e na verdade uma derrota dos esforços em torno da agregação dos grupos de apoio organizados em torno do nosso ideal comum. Isto, apesar do forte apoio à equipe de futebol.

No menu História poderá ser consultado o episódio nº 78 onde poderão conhecer mais detalhes da jornada da meia-final da Taça de Portugal com os lampiões.

Concluindo, a disponibilidade da Torcida Verde para cooperar com outros grupos de adeptos organizados mantém-se, desde que respeitando os princípios fundamentais que passam pelo estrito e intocável respeito pela personalidade e autonomia, no que diz respeito à Torcida Verde.

Nesse sentido, continuamos a defender de forma intransigente, a atribuição de responsabilidades a cada grupo que decorram exclusivamente dos seus actos. Isto é, a Torcida Verde jamais estará disponível para assumir as consequências dos actos de outros grupos.

O próprio enquadramento legal em vigor aponta nesse sentido, pelo que na Torcida Verde a nossa eventual disponibilidade em participar nesse desafio estará sempre centrado na lei geral da República, seja na "Curva Sul" na "Curva Norte" ou no "Sector A23".

 

Setúbal 2 - SCP 0

Na Torcida Verde de há muito decidimos assumir posições em relação a temas considerados como verdadeiros "tabús" no mundo das "claques" (designação com a qual jamais nos identificámos).

Tratam-se de assuntos complicados, sobre os quais seria muito mais cómodo abdicar de tomar posição, escondendo-nos no "nim", algo tão usual numa sociedade onde a hipocrisia, o cinismo e a incoerência dominam impunemente.

Ter a coragem de tomar posição em relação a temas como a "violência organizada", "o enquadramento legal", "a política na curva", "o futebol moderno", "o ecletismo" entre outros, é uma demonstração inequívoca de coragem e maturidade.

 

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