"Eles vão sair pela Maratona" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Episódio 27

No último dia do ano de 1988, disputou-se em Alvalade um importante jogo com o Porto.

Uma derrota por 2-1, precipitada pelos habituais “erros” de arbitragem provocou a ira de adeptos, atletas e alguns dirigentes. O ambiente junto da porta 10 A era vulcânico.

Porta 10A

À data a arrecadação da Torcida Verde situava-se perto das cabines dos árbitros e dos jogadores, pelo que nos apercebemos do clima de crispação que percorria os vários intervenientes.

Quando na Torcida Verde nos preparávamos para abandonar aquele espaço, fomos interpelados por um "dirigente" que nos segredou em tom de murmúrio."Eles vão sair pela (porta) Maratona".

Perante a nossa indiferença, o tom de voz subiu repetindo-nos "Pela Maratona, vão para a Maratona!".

A nossa resposta foi a indiferença, mas perante repetida insistência vimo-nos impelidos a disparar "não somos tropa de choque, não somos capangas!".

Este episódio reflecte o local estratégico da nossa arrecadação entre 1986 e 1992, período no qual jamais ocorreu qualquer episódio capaz de prejudicar o SCP.

Por outro lado, demonstra a mentalidade enraizada no senso comum que identifica de forma automática "grupos de adeptos manipuláveis para a violência". Mais grave é quando esta ideia é participada por dirigentes e responsáveis dos clubes.

Mas mais importante que tudo, revela de forma inequívoca o carácter intrépido e autónomo da Torcida Verde que nunca vestiu a pele de exército ou de guarda pretoriana ao serviço de quaisquer personalidades, ainda que, camufladas pela "defesa do clube".

 

SCP 0 - Basileia 0

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

Desde 1984, o ano da sua fundação, a Torcida Verde tem vivido inúmeros episódios que forjaram o seu carácter e determinaram em grande parte a sua acção.

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

São momentos diversos, com personagens tão diferentes como dirigentes desportivos ou institucionais até aos adeptos e cidadãos mais anónimos.

Neste espaço esses pedaços de história da Torcida Verde são evocados com humor, ironia, determinação e muita convicção. Uma abordagem que se pretende tão original como interventiva, bem evidente nos inúmeros episódios em que se denúncia a hipocrisia, o cinismo, a falta de coragem, o preconceito, a imbecilidade, a mesquinhez, a reverência ou a subserviência.

Simultaneamente muitíssimos outros momentos evocam grandes batalhas assumidas pela Torcida Verde em nome das nossas convicções e ideal clubista.

Estes textos ilustram o percurso da Torcida Verde, tantas vezes rumando num mar turbulento repleto de contradições que emergem, invariavelmente de factores exógenos e externos à natureza associativa do mundo dos clubes e dos adeptos.

 

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