A era de Jorge Gonçalves: Ajax e Real Sociedad mais do mesmo! PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Episódio 24

Com a chegada de Jorge Gonçalves à Presidência do SCP, foi determinada uma nova relação com as "claques" do Clube abrindo os apoios a todos os grupos.

Foi esboçado um regulamento, da autoria de um vice-presidente, composto por um conjunto de procedimentos que na Torcida Verde decidimos, algo ingenuamente, respeitar rigorosamente.

Os primeiros apoios "oficiais" nos ingressos nos jogos em Alvalade exigiram-nos um grande esforço na angariação de novos associados para o SCP, cerca de 200 até Setembro de 1988. Em contrapartida o SCP cedia-nos ingressos a preços reduzidos.

Também na deslocação a Penafiel ofereceram-nos autocarros, algo que teria seguimento ao longo da época.

Nestes novos tempos que nos possibilitaram um natural crescimento numérico, tentaram passar a ideia de que, de alguma forma a Torcida Verde seria "privilegiada pela nova direcção".

Imbuídos dum renovado espírito e crentes no cumprimento rigoroso do "tal regulamento", nunca nos passara pela ideia "saltar" por cima das hierarquias estabelecidas para alcançar uma posição de especial privilégio.

Para a primeira eliminatória com o Ajax de Amesterdão, desde o sorteio em Julho, actuámos de acordo com o pré estabelecido pelo SCP , desvalorizando os "zunzuns" que apontavam para a atribuição de apoios à margem do estabelecido, o que a acontecer seria um lamentável retrocesso.

SCP - Ajax 1988

Infelizmente para nós na Torcida Verde, tais "zunzuns" seriam confirmados na véspera do Jogo com o Ajax, através da interpelação de um alto dirigente de então, o qual na ausência do "Vice Presidente" que havia determinado o tal regulamento, actuou nas suas palavras de acordo com os pedidos de determinada claque.

Grotesca foi a reacção desse dirigente quando o questionámos acerca da aquisição dos bilhetes: "quantos bilhetes é que querem?" - atirou com a maior descontracção, fazendo parecer ridícula nossa incredibilidade e desvalorizando o que havia sido determinado por um seu companheiro dirigente e no qual acreditámos, enquanto que outros "trabalhavam" nos bastidores durante todo aquele tempo!

Foi a primeira grande desilusão que tivemos de enfrentar e superar. Uma pequeníssima amostra do que viríamos a viver durante épocas a fio.

Cerca de um mês depois, a 2ª eliminatória da Taça UEFA com os Bascos da Real Sociedad, traria um novo episódio degradante dos bastidores que na verdade determinavam o "funcionamento" entre o Clube e seus grupos de apoio.

Se no jogo com o Ajax a ausência do vice-presidente responsável que "determinara" o tal "novo funcionamento", poderia justificar o que sucedeu, o que aconteceu na eliminatória com a Real Sociedad foi um autêntico retrocesso no novo relacionamento que dava os primeiros passos.

Desta vez seria o próprio Presidente do Clube a desautorizar o seu vice-presidente responsável pela implementação do novo funcionamento, dirigindo-se pessoalmente à porta de entrada do Estádio José De Alvalade, habitualmente frequentada por um dos grupos de apoio do SCP, franqueando dessa forma a entrada a esses membros. Isto em detrimento dos outros grupos de adeptos cumpridores do que fora estabelecido.

O próprio Presidente do Clube, ainda teve o cuidado de tentar justificar o injustificável perante alguns elementos da Torcida Verde, originando um diálogo pouco produtivo e nada amistoso. Tratou-se de uma autêntica viagem no tempo ao som da melodia "ò tempo volta para trás...".

Volvidos poucos dias, talvez por coincidência ou não, o vice-presidente repetidamente desautorizado apresentaria a sua demissão. Seria a primeira das muitas demissões que viriam a assolar os órgãos sociais na Presidência de Jorge Gonçalves.

 

SCP 0 - Basileia 0

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

Desde 1984, o ano da sua fundação, a Torcida Verde tem vivido inúmeros episódios que forjaram o seu carácter e determinaram em grande parte a sua acção.

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

São momentos diversos, com personagens tão diferentes como dirigentes desportivos ou institucionais até aos adeptos e cidadãos mais anónimos.

Neste espaço esses pedaços de história da Torcida Verde são evocados com humor, ironia, determinação e muita convicção. Uma abordagem que se pretende tão original como interventiva, bem evidente nos inúmeros episódios em que se denúncia a hipocrisia, o cinismo, a falta de coragem, o preconceito, a imbecilidade, a mesquinhez, a reverência ou a subserviência.

Simultaneamente muitíssimos outros momentos evocam grandes batalhas assumidas pela Torcida Verde em nome das nossas convicções e ideal clubista.

Estes textos ilustram o percurso da Torcida Verde, tantas vezes rumando num mar turbulento repleto de contradições que emergem, invariavelmente de factores exógenos e externos à natureza associativa do mundo dos clubes e dos adeptos.

 

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