Em Viseu na despedida de Vítor Damas PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Episódio 22

A época de 88/89 foi marcada por diversos acontecimentos marcantes. Um dos mais inesquecíveis ocorreu dia 27 de Novembro em Viseu numa jornada do Campeonato Nacional de Futebol.

Naqueles tempos os jogos disputavam-se, normalmente, pelas 15:00 horas de Domingo, o que nos obrigava a sair de Lisboa não muito depois das 7:00 horas, uma vez que a A1 ainda não existia.

Vítor Damas

Quando saímos de Lisboa, rumo a Viseu, estávamos muito longe de imaginar que iríamos presenciar o último jogo de um dos últimos símbolos do nosso Clube – Vítor Damas.

Aqueles eram, na verdade, tempos muito conturbados, tais eram as polémicas que rodeavam dirigentes e antigos dirigentes, resultando numa conjuntura turbulenta que se espalhava pelo balneário, minando o desempenho da equipe de futebol.

As espantosas expectativas geradas pela nova era de Jorge Gonçalves pareciam esfumar-se e a equipe de futebol profissional era o exemplo mais eloquente.

Na Torcida Verde, procurávamos cumprir a nossa função de apoio incondicional, independentemente das controvérsias e das guerras de bastidores que desestabilizavam claramente a afirmação desportiva do Sporting.

Foi com este espírito indomável que organizámos a deslocação a Viseu. De Lisboa saiu um autocarro com o habitual entusiasmo e animação.

O jogo não começou da melhor forma para as nossas cores, com os locais a colocarem-se na frente.

Na 2ª parte, uma excelente recuperação do onze leonino, colocou o Sporting na frente do marcador, para euforia dos milhares de sportinguistas presentes no Estádio Municipal do Fontelo.

A última jogada dessa partida viria a ditar o empate, após a marcação de um pontapé de canto, no qual foi visível o desentendimento nos defensores leoninos. O central Mourato no primeiro poste a baixou-se e surpreendeu o guardião Vítor Damas, que se viu desta forma impotente para evitar a entrada do avançado local que empatou o jogo.

Situados na Bancada Superior dessa baliza, foi-nos evidente o inconformismo do capitão Vítor Damas, ainda dentro das 4 linhas, perante o desespero dos adeptos verde e brancos, ainda incrédulos.

No final desta partida o mítico guarda-redes Vítor Damas, declararia o abandono do futebol para surpresa e mágoa dos verdadeiros Sportinguistas.

Especulou-se sobre as verdadeiras causas deste abrupto abandono, que dispensamos abordar.

Este episódio, sem dúvida histórico, retrata de forma evidente a desestabilização que parecia dominar o Clube e determinou a antecipação inglória daquele que terá sido um dos melhores guarda-redes do SCP, do futebol nacional e internacional.

Vídeo sobre Vítor Damas >>>

 

SCP 0 - Basileia 0

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

Desde 1984, o ano da sua fundação, a Torcida Verde tem vivido inúmeros episódios que forjaram o seu carácter e determinaram em grande parte a sua acção.

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

São momentos diversos, com personagens tão diferentes como dirigentes desportivos ou institucionais até aos adeptos e cidadãos mais anónimos.

Neste espaço esses pedaços de história da Torcida Verde são evocados com humor, ironia, determinação e muita convicção. Uma abordagem que se pretende tão original como interventiva, bem evidente nos inúmeros episódios em que se denúncia a hipocrisia, o cinismo, a falta de coragem, o preconceito, a imbecilidade, a mesquinhez, a reverência ou a subserviência.

Simultaneamente muitíssimos outros momentos evocam grandes batalhas assumidas pela Torcida Verde em nome das nossas convicções e ideal clubista.

Estes textos ilustram o percurso da Torcida Verde, tantas vezes rumando num mar turbulento repleto de contradições que emergem, invariavelmente de factores exógenos e externos à natureza associativa do mundo dos clubes e dos adeptos.

 

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