A Biblioteca do Sporting PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Episódio 20

A participação da Torcida Verde para a edificação da Biblioteca do SCP em 1987 resultou do contacto de responsáveis do Departamento de Cultura e Recreio do Clube, os quais conhecendo a nossa habitual disponibilidade na participação da vida leonina, lançaram-nos esse novo desafio, com frases a reter:
- "Trata-se de preservar para a posteridade preciosos documentos da vida do SCP";
- "Será um esforço em prol do Clube".

Biblioteca do Sporting

Aquela que deveria ser uma participação da Torcida Verde, devidamente enquadrada pelos responsáveis do Clube, depressa se transformou em algo muito diferente.

As dificuldades da tarefa exigiam uma grande disponibilidade física, uma vez que se tratava de transportar individualmente centenas de pesadas compilações de jornais do Clube, de actas de reuniões dos órgãos sociais e outras importantes documentações da vida do SCP.

Transportar essas enormes e pesadas compilações encadernadas, significava na prática "galgar" a enorme escadaria da Bancada Nova e ainda quase “outro tanto” já no interior da Nave Desportiva de Alvalade até ao local onde seriam armazenadas.

O primeiro dia, um sábado pela manhã, serviria de padrão para o que esperava os membros da Torcida Verde, envolvidos naquela acção "em prol do Clube".

Convocados pelo dito "responsável do Clube" para as 9 horas da manhã, teríamos de esperar e desesperar até às 11.30 horas.

O grande contributo do dito cujo, seria levantar as chaves na 10A, indicar-nos o sitio para levantar os livros e depois mostrar-nos o caminho a pé (dizendo desconhecer outra alternativa) até ao local dois pisos abaixo, onde deveríamos armazenar as centenas de compilações, de documentos e livros.

Para nosso espanto, após ter explicado a tarefa, incentivou-nos a começar com um "encorajador fogo à peça" e... desapareceu, deixando-nos a braços com todos aqueles "preciosos documentos da vida do Clube", com as chaves da sala Joaquim Agostinho (antiga Sala de Sócios) e de uma enorme arrecadação. Sem dar sinal de vida, apareceu no final da tarde para "inspeccionar o trabalho".

No 2º sábado de trabalho, a situação clarificou-se. O dito "responsável " nem apareceu e o funcionário do Clube, responsável pela segurança na mítica Porta "10A", entregou-nos as chaves, pelo que continuámos a tarefa autonomamente e sem "supervisores".

Nessa ocasião, descobrimos que havia um elevador no corredor dos ginásios, o que nos permitiu facilitar a execução da tarefa, uma vez que também havíamos descoberto e "requisitado" um carrinho de mão para transportar os materiais.

Este episódio, foi o primeiro grande "abre olhos" que recebemos na Torcida Verde. Sem nunca pretendermos quaisquer protagonismos, apreendemos que por vezes existem "personalidades" que não têm qualquer inibição por usurpar a dedicação desinteressada, potenciando-a a seu proveito, passeando-a de forma despudorada.

O facto de termos concretizado a tarefa até ao fim decorreu da natureza da nossa motivação: servir o Clube e cumprir o que havíamos prometido, secundarizando a tal vedeta que tentara brilhar à custa do nosso trabalho.

Esta experiência nunca nos inibiu de cooperar com as mais diversas áreas do Clube.

 

SCP 0 - Basileia 0

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

Desde 1984, o ano da sua fundação, a Torcida Verde tem vivido inúmeros episódios que forjaram o seu carácter e determinaram em grande parte a sua acção.

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

São momentos diversos, com personagens tão diferentes como dirigentes desportivos ou institucionais até aos adeptos e cidadãos mais anónimos.

Neste espaço esses pedaços de história da Torcida Verde são evocados com humor, ironia, determinação e muita convicção. Uma abordagem que se pretende tão original como interventiva, bem evidente nos inúmeros episódios em que se denúncia a hipocrisia, o cinismo, a falta de coragem, o preconceito, a imbecilidade, a mesquinhez, a reverência ou a subserviência.

Simultaneamente muitíssimos outros momentos evocam grandes batalhas assumidas pela Torcida Verde em nome das nossas convicções e ideal clubista.

Estes textos ilustram o percurso da Torcida Verde, tantas vezes rumando num mar turbulento repleto de contradições que emergem, invariavelmente de factores exógenos e externos à natureza associativa do mundo dos clubes e dos adeptos.

 

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