Um pano "Ultras"... um pano "Hooligans" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Episódio 7

Nos primeiros tempos de Torcida Verde, o improviso era dominante. Sem qualquer modelo de adeptos organizados pré-definido, reinava o "caos organizado". O intrépido amor ao SCP era o que unia os primeiros fundadores e activistas da Torcida, todos muitíssimo jovens.

Logo no primeiro jogo ao lado da pequena faixa "Torcida Verde", auto produzida de forma artesanal, apresentámos a designação "Ultras Sporting". Na verdade esse "Ultras Sporting" não tinha qualquer relação com o Movimento Ultra que viríamos a conhecer mais tarde.

ultras hooligans

Entretanto o impacto do modelo anglo-saxónico tinha adeptos nos primeiros anos do Grupo, expresso na faixa "Torcida Verde Fan Club Sporting", com um padrão tricolor em voga na Alemanha Ocidental.

Tempos em que se misturavam na nossa curva bandeiras italianas, brasileiras e inglesas, num ambiente onde alcunhas como "Italiano", "Brasuca" ou "Inglês" eram usuais.

Neste quadro, foi sem surpresa que apareceu exposto um pano com a inscrição "hooligans", então tido como o movimento de adeptos mais conhecido na Europa: os ingleses. O movimento era mais conhecido pelas bebedeiras e cânticos que entoavam, que pelos crescentes distúrbios que em Portugal eram pouco noticiados.

Na época tiveram grande impacto mediático as invasões de campo de adeptos que desfilavam completamente nus, algo que dava um toque de grande irreverência e rebeldia.

As notícias "made in England" que causaram estupefacção estavam relacionadas com as cenas de cadeiras arremessadas para o relvado. Tal cena amplamente divulgada nos meios de comunicação, causou furor num país em que os estádios só tinham cadeiras (de madeira tipo salão de chá) nos camarotes.

O ponto de viragem do impacto mediático dos "hooligans" teve verdadeira expressão em Maio de 1985, devido aos trágicos acontecimentos que no estádio Heysel Park vitimaram dezenas de adeptos italianos.

O trágico acontecimento encostou o termo a outra conotação e passou a estar relacionado com um movimento associado à violência organizada como principal, para não dizer único, factor de agregação dos seus integrantes.

Seria um movimento com inúmeros seguidores por essa Europa fora, com o qual nunca nos identificámos.

 

SCP 0 - Basileia 0

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

Desde 1984, o ano da sua fundação, a Torcida Verde tem vivido inúmeros episódios que forjaram o seu carácter e determinaram em grande parte a sua acção.

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

São momentos diversos, com personagens tão diferentes como dirigentes desportivos ou institucionais até aos adeptos e cidadãos mais anónimos.

Neste espaço esses pedaços de história da Torcida Verde são evocados com humor, ironia, determinação e muita convicção. Uma abordagem que se pretende tão original como interventiva, bem evidente nos inúmeros episódios em que se denúncia a hipocrisia, o cinismo, a falta de coragem, o preconceito, a imbecilidade, a mesquinhez, a reverência ou a subserviência.

Simultaneamente muitíssimos outros momentos evocam grandes batalhas assumidas pela Torcida Verde em nome das nossas convicções e ideal clubista.

Estes textos ilustram o percurso da Torcida Verde, tantas vezes rumando num mar turbulento repleto de contradições que emergem, invariavelmente de factores exógenos e externos à natureza associativa do mundo dos clubes e dos adeptos.

 

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