Deslocação a Amesterdão para a Taça UEFA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Na época 1988/89 o futebol leonino defrontou o Ajax de Amesterdão na primeira eliminatória da Taça UEFA. Tratava-se de um encontro contra os Vencedores da Taça das Taças da época transacta.

Revista do SCP

Imbuídos da onda verde que percorria a grande nação Sportinguista, eufórica com a novíssima presidência de Jorge Gonçalves, organizamos de um autocarro cuja mobilização foi facilitada pelo animador resultado da primeira-mão em Alvalade (4-2).

Saímos de Lisboa rumo a Amesterdão com o autocarro completamente preenchido. O ponto de partida foi a mítica Porta 10A, na madrugada de Domingo, de modo a aproveitar a noite para ganhar tempo na longa “caminhada” por Espanha. Na verdade, foi uma directa até Paris onde finalmente conseguimos pernoitar no Domingo.

A visita obrigatória da "cidade luz" ocupou-nos o dia de 2ª feira, pelo que na Terça-feira rumámos até ao alojamento em Amesterdão onde chegámos a tempo de fazer o reconhecimento nocturno da cidade.

No dia do jogo fizemos nova visita a Amesterdão, que se prolongou até meio da tarde, após a qual seguimos para o Estádio. A viagem até ao Estádio foi agitada pela aquisição dos bilhetes no hotel onde estava alojada a comitiva do SCP.

A chegada ao Estádio do Ajax foi estranhamente calma. Sem que vislumbrássemos qualquer polícia limitámo-nos a parquear o autocarro no sector previamente reservado para os visitantes.

O cenário alterou-se radicalmente já no interior do Estádio quando assistimos, a poucos instantes do início do jogo, incrédulos, a um estranho ritual dos adeptos holandeses que consistia na queima de bandeiras expostas nas vedações do sector afecto aos adeptos locais. Apenas a pronta intervenção dos bombeiros impediu a propagação das chamas pela bancada.

A situação que fez-nos recordar aquando os lamps, desesperados com a histórica goleada dos 7-1, queimaram os cachecóis, bandeiras, etc.

Entretanto as peripécias do jogo nas quatro linhas assumiam um carácter dramático, com a imensa pressão do onze treinado por Cruijf na procura do golo. Inesquecível a espectacular exibição de Vítor Damas, um verdadeiro leão no confronto com os gigantes de Amesterdão.

Um grande golo de Paulo Silas, colocou o SCP em vantagem e provocou a ira de alguns adeptos holandeses colocados na bancada "colada" ao sector onde estávamos situados.

Uma vez mais, nova sessão de queima de bandeiras desta vez na bancada fronteira ao sector onde estávamos.

Para agravar a situação, um grupo de "casuals" trepou a rede e tentou pegar fogo a uma das nossas faixas, o que exigiu a nossa intervenção evitando "in extremis" o sucesso daqueles adeptos em fúria. Dentro das quatro linhas, apesar do verdadeiro "massacre" do onze holandês, o SCP conseguiria vencer por 2-1 e ultrapassar a eliminatória.

No final do jogo a situação iria agravar-se. Sem qualquer presença policial dirigimo-nos para o parque onde estava o autocarro com as reservas exigidas por uma outra experiência vivida em Roterdão numa eliminatória Europeia.

Nas imediações do parque onde estava o nosso autocarro operavam vários grupos de "casuals" holandeses "ocultos" pelas suas vestes à civil (sem qualquer identificação clubista) que investiram sobre o nosso grupo de forma organizada.

De repente e sem que percebêssemos de onde, irromperam policias de choque montados em cavalos que desmobilizaram os adeptos, não sem que estes ripostassem!

Passados alguns minutos, a situação acalmou e a polícia holandesa exigiu que nos apeássemos dos bancos do autocarro, longe das janelas porque esperavam o apedrejamento do autocarro no trajecto até fora de Amesterdão.

Resultado, não pudemos pernoitar em Amesterdão, tendo de arrancar para nova directa no autocarro. Veio à memória a deslocação a Roterdão em 1983, nos tempos de Força Verde, em que no final desse jogo a fúria dos holandeses, frustrados com a vitória do SCP, se abateu sobre os autocarros dos adeptos verde e brancos.

O regresso a Portugal realizou-se tendo, ainda, permitido uma visita a Andorra onde passámos a noite antes de nova directa até Lisboa.

 

Deslocação a Bilbau

As deslocações são desde a primeira hora uma das principais acções que na Torcida Verde potenciamos rumo ao apoio do ideal leonino.

Naturalmente a mobilização é uma tarefa indispensável para possibilitar a realização dessas deslocações. Seja no Futebol, no Andebol, no Futsal, no Hóquei-em-Patins, no Basket, no Voleibol ou no Atletismo, a Torcida Verde organizou centenas de deslocações em Portugal e na Europa.

Com o advento das transmissões televisivas, as quais ainda por cima exigem-nos suportar horários jogos intragáveis, assim como o excessivo preço dos bilhetes são factores que dificultam a mobilização.

A dificuldade na mobilização agrava-se com o processo de afastamento dos adeptos verde e brancos, que resultou da triturante erosão provocada pelos efeitos do Projecto Roquette desde meados dos anos 90.

Exemplo marcante foi o cancelamento da organização de excursões pelos serviços do Clube em 1996, dando expressão ao processo de desaculturação leonina, também pela desmobilização dos adeptos, transformados como meros consumidores.

>Apesar de tudo, na Torcida Verde jamais nos rendemos. A fidelidade às cores verde e branca é uma bandeira inquestionável.

 

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