10 000 estrelinhas feitas à mão PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Na época 90/91, o primeiro jogo da 2ª eliminatória da Taça UEFA foi com os Romenos do Politécnica Timissoara, no Estádio José Alvalade. Viveu-se uma noite verdadeiramente mágica.

Como que profetizando a histórica goleada infligida (7-0) à equipa Romena, que havia eliminado na ronda anterior o Atlético de Madrid de Paulo Futre, a Torcida Verde implementou a sua primeira grande coreografia.

Importa viajar pelos bastidores da produção desta coreografia para se ter uma ideia das laboriosas tarefas exigidas.

Sporting 7 - Timisora 0

A coreografia inspirada na mítica Curva B de Nápoles, que nos impressionara pela quantidade massiva de artefactos pirotécnicos que cobria toda a bancada, tinha como objectivo cobrir cerca de metade da “curva sul” com 10000 estrelinhas produzidas de forma artesanal pela militância activa da Torcida Verde, em diversas fases:

- A primeira tarefa consistiu em recortar 10000 cartolinas com a forma de estrela;

- Outra tarefa realizada passou por cortar 10000 metros de arame em bocados de um metro;

- Seguidamente, aplicámos as 10000 peças de arame nas cartolinas entretanto recortadas em forma de estrela;

- Finalmente, aplicámos um artefacto pirotécnico em cada uma das 10000 estrelinhas, o qual seria depois aceso pelos adeptos na Curva Sul.

O efeito pretendido foi potenciado pelo facto de cada adepto usar duas estrelinhas.

Para implementar esta coreografia foram necessárias 40000 operações, organizadas em quatro tarefas complementares num esforço que nos exigiu um sem número de horas.

 

A História nos Julgará

As coreografias na Torcida Verde assumem um carácter de grande identidade, como forma de expressão privilegiada. São tantas vezes a "nossa voz" para intervir em temas pertinentes, ainda que possam ser considerados inconvenientes.

Nos primeiros anos do Grupo, as coreografias assumiam um carácter estritamente estético, exclusivamente virado para a animação das bancadas no apoio ao Clube. Invariavelmente eram compostas por bandeiras e fumos.

Com a descoberta do movimento ultra, oriundo de Itália, nascia um novo mundo de cor, animação, dinâmica, criatividade e intervenção. As primeiras coreografias massivas abrangiam milhares de adeptos, num conceito que pretendia integrar a maior massa humana possível. Surge a era da "plastificação das curvas" com o uso massivo desse material.

Actualmente as coreografias assumem para o Grupo, uma ambivalência entre o carácter estritamente estético e a vertente interventiva.

Na Torcida a construção de coreografias é também um factor de aculturação dos aderentes à nossa luta. Aculturação pela participação no trabalho.

Temos presente o exemplo do que acontecia com o mítico Grupo Ultra da Fossa dei Leoni do AC Milan em que a participação na construção das coreografias era um privilégio, um prazer. De tal forma que os ultras da FDL inscreviam-se na esperança de poderem participar na edificação de coreografias que se tornaram em referências para o mundo dos adeptos.

Conhecemos como ninguém a importância e o valor do trabalho que torna possível a realização de "tifos". Com espírito de sacrifício, determinação e convicção, temos reescrito um novo conceito para o termo "impossível". Esta é uma das conquistas insubstituíveis das míticas coreografias realizadas desde 1984.

 

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